OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA

OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA
OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA - O NOVO ESPETÁCULO DA CIA TEATRO AO QUADRADO

domingo, 31 de agosto de 2014

OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA: RUDOLF BRAZDA, O ÚLTIMO SOBREVIVENTE



Rudolf Brazda (1913-2011) foi o último sobrevivente dos triângulos rosa. Apesar da terrível experiência vivida no campo de concentração de Buchenwald, onde permaneceu de 1942 a 1945, ele viveu incríveis 98 anos, contando sua história no livro Triângulo rosa: um homossexual no campo de concentração nazista, escrito em colaboração com Jean-Luc Schwab. Nessa entrevista, Brazda relata algumas passagens de seu confinamento, que foram utilizadas na criação do espetáculo OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA, com estreia marcada para o dia 10 de outubro, no Theatro São Pedro, em Porto Alegre.
Rudolf Brazda, aos 18 anos
 
Rudolf Brazda, em 1937
 
Rudolf Brazda, com mais de 90 anos
 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA - FLAGRANTES DE ENSAIO

A talentosa fotógrafa Luciane Pires Ferreira é a responsável pelas imagens do novo espetáculo da Cia Teatro ao Quadrado, com estreia marcada para 10 de outubro, no Theatro São Pedro. OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA é o 11º espetáculo da companhia, e traz como tema principal a perseguição aos homossexuais durante os anos 1930 e 1940 na Alemanha nazista.
Contemplado com o Prêmio Myriam Muniz de Teatro 2013 para sua montagem, concedido pela Funarte, nosso novo trabalho adapta algumas obras literárias para estruturar sua dramaturgia: Bent, de Martin Sherman, Triângulo rosa- um homossexual no campo de concentração nazista, de Rudolf Brazda e Jean-Luc Schwab, e Eu, Pierre Seel, deportado homossexual, de Pierre Seel.






 

domingo, 17 de agosto de 2014

A VIDA DELE

A equipe se repete, com poucas alterações, desde o nascimento do ensemble: o In.co.mo.de-te, surgido em 2009 com O gordo e o magro vão para o céu - a primeira das incursões no universo dramático de Paul Auster -, se notabiliza por trabalhar com elencos pequenos e que atuam em forma de rodízio. O ator de um espetáculo será o diretor do próximo, e vice versa. Desta vez, com a convocação de Ramiro Silveira para assumir a direção, agrega-se (espero eu) um novo elemento aos que já faziam parte do In.co.mo.de-te. Nessa terceira parte da Trilogia Auster, retorna o investimento maior no humor non sense, visto em larga medida em O gordo e o magro..., e que havia sido substituído por outro tipo de humor (como chamar o que acontecia em DentroFora, a segunda parte da trilogia?), mais "sofisticado". Em A vida dele, identifico algumas influências explícitas na estética do espetáculo. A primeira delas é dos quadrinhos, representada não apenas nas movimentações dos atores, nas ações por eles praticadas e na iluminação, mas até mesmo na proposta cenográfica, que literalmente enquadra os atores através das quatro molduras-janela, proporcionando um recorte típico das HQs - faltaram apenas os "balões" com as falas das personagens para ser ainda mais quadrinístico. Outra homenagem é aos palhaços clássicos: desde os narizes postiços que as três figuras principais usam, mas principalmente na relação que se estabelece entre Peter (Nelson Diniz) e Verde (Liane Venturella), que remete seguidamente à dupla de clowns Branco e Augusto.
Quanto à dramaturgia, inspirada em Paul Auster, mas creditada a Michelle Ferreira, aponta para a primeira fase do dramaturgo inglês Harold Pinter, especialmente a peça The dumb waiter, de 1957 (às vezes traduzida como O serviço ou O monta-cargas), por sua situação de dúvida inicial em relação aos objetivos das personagens na ação em que se veem envolvidos: aguardar pelo que fazer (interessante volta ao tema da primeira peça da trilogia do grupo, que emulava o Esperando Godot de Beckett). Não posso deixar de mencionar o brilhante filme alemão A vida dos outros (2006), de Florian Henckel von Donnersmarck, que parece ter inspirado o título do espetáculo, em que um agente alemão passava a vida espionando pessoas, na Alemanha Oriental comunista.
Finalmente, e como um arremate às influências anteriores que identifiquei na estética do espetáculo, cito o filme Dick Tracy (1990), dirigido por Warren Beatty, que aproveitava as personagens criadas pelo quadrinista norte-americano Chester Gould em 1931: nelas, o detetive particular Dick Tracy combatia o crime e vários vilões extravagantes. A vida dele não trabalha com o conceito de vilão, mas a atmosfera noir, reforçada pela iluminação e pela trilha sonora, além da presença da figura do detetive particular e de espiões em cena, remete ao mesmo universo. O uso das próteses nasais pelo trio de atores para desnaturalizar suas feições me lembrou a incrível maquiagem de caracterização criada para o filme de Beatty, em que os devaneios de Chester Gould eram concretizados com muito látex e acessórios do tipo.
Por tudo isso, e pela excelência na execução, A vida dele é um espetáculo de imensa qualidade e refinamento visual. Os três atores (Carlos Ramiro Fensterseifer, Liane Venturella e Nelson Diniz) estão inteiros, e jogam entre si maravilhosamente. É, no fundo, uma grande brincadeira (como deveria ser, sempre, o teatro, mesmo quando se faz uma tragédia), em que a plateia se diverte muito. A atuação de Liane Venturella é absolutamente hipnótica, e ela me orgulha muito sendo uma artista nossa, generosa e humilde no convívio conosco, seus colegas de profissão. Nunca faço esse tipo de prognóstico, porque as comissões de prêmios têm me surpreendido tanto nos últimos anos pelos equívocos cometidos, que qualquer tentativa de antecipação é temível; mas preciso escrever que acredito ser difícil, para qualquer outra atriz em 2014, superar o trabalho que Liane desenvolve em A vida dele. Um domínio técnico do clown e da linguagem do espetáculo irrepreensíveis, um trabalho vocal primoroso, um timing cômico suíço. Também sei que Liane não atua pensando em prêmios, assim como eu: tudo é consequência da dedicação ao trabalho e da entrega ao nosso ofício. Às vezes isso é percebido pelos outros, outras vezes, não. A gente segue o nosso caminho, que não se restringe a isso.
Muitos parabéns à equipe do espetáculo: Ramiro Silveira pelo amor ao teatralismo e pela concepção precisa, Michelle Ferreira pela linha dramática flexível que concede ao trabalho dos atores o foco principal, Cláudia de Bem pela iluminação perfeita e pela cenografia, Álvaro Rosacosta pela excelente trilha sonora, Carlos Ramiro pelos figurinos, e por aí vai. Não tem como não recomendar: assista.

domingo, 3 de agosto de 2014

CAVALOS NO CINEMA

Dois grandes filmes, que têm em comum alguns elementos. O mais óbvio é a referência a cavalos: A noite dos desesperados (1969), que é o título um tanto inadequado que recebeu no Brasil o longa They shoot horses, don't they? (em livre tradução, algo como Eles sacrificam cavalos, não é?), dirigido por Sydney Pollack a partir da novela de Horace McCoy; e O cavalo de Turim (2011), do cineasta húngaro Béla Tarr. O que mais os aproxima? No filme norte-americano, a maior parte da ação acontece durante uma maratona de dança, na Califórnia de 1932, em plena Depressão. Dezenas de casais dançam pelo prêmio de 1500 dólares, durante semanas sem parar, desmoronando seus corpos e suas ilusões perante uma entusiasmada plateia que paga ingresso para ver os competidores lutarem pela vitória. Não faz lembrar um pouco os atuais reality shows televisivos?
O cavalo de Turim é um dos filmes mais belos e artisticamente rigorosos a que já assisti. Ambientado na Hungria "profunda" do final do século XIX, o filme tem como ponto de partida uma história real ocorrida com o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, em 1889: estava ele na cidade italiana de Turim quando presenciou um cocheiro espancando, em plena rua, um cavalo que se negava a andar, por cansaço. Vendo a agressão, Nietzsche aproximou-se do cavalo e empurrou o cocheiro, abraçando-se ao pescoço do animal e caindo no choro. Encontrado por um amigo, o filósofo foi levado para casa, onde permaneceu dois dias em completo silêncio, como que catatônico. Ao fim desse período, Nietzsche jamais voltou ao estado normal, permanecendo os seguintes dez anos de sua vida, até sua morte, demente e dependente da mãe.
A obra-prima de Béla Tarr cogita o que teria acontecido ao cavalo de Turim, que seria o detonador da crise nietzschiana. Em um fascinante exercício de ficção, o filme nos coloca frente a frente com três personagens: um pai de 58 anos, sua filha, e o cavalo, vivendo em uma paupérrima propriedade rural. Com quase 150 minutos de duração, em uma extraordinária fotografia em preto e branco, divididos em 30 planos-sequência que repetem, sob variados enquadramentos de câmera, o repetitivo cotidiano dessas três figuras, O cavalo de Turim é uma experiência inesquecível que fala sobre o tempo. E também sobre algo que o liga, de alguma forma, ao filme de Pollack: a crise advinda das péssimas condições no campo.   

 

quarta-feira, 30 de julho de 2014

HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO

Um garoto cego se apaixona por um colega recém chegado à sua escola. Um belo filme, dirigido por por Daniel Ribeiro, recém lançado (2014). Delicado e (por que não?) romântico, tratando da descoberta da sexualidade na adolescência. Originalmente, essa história virou um curta-metragem, dirigido pelo mesmo Daniel Ribeiro, que ampliou para um longa. Vale muito a pena assistir.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

A VERTIGEM DOS ANIMAIS ANTES DO ABATE: A VISÃO DE ANTONIO HOHLFELDT

Apesar de considerar o jornalista e professor Antônio Hohlfeldt um homem muito inteligente, geralmente sinto falta de que, em suas análises teatrais, ele valorize a encenação (aquilo que não é dado a priori por um dramaturgo, escrevendo no conforto de seu gabinete, a milhares de quilômetros de distância) tanto quanto a dramaturgia, em um espetáculo. O que geralmente leio é o contrário: Hohlfeldt argumenta bastante sobre a dramaturgia e deixa de lado justamente aquilo QUE FAZ DO TEATRO, TEATRO, ou seja, os inúmeros elementos que se juntam, se influenciam, se atritam, se contradizem, no momento presente, no "ao vivo" do evento teatral. Mesmo com essa ressalva, compartilho a opinião escrita de Hohlfeldt sobre nosso espetáculo, lamentando no entanto que ele dedique apenas algumas linhas aos artistas locais, que literalmente suam as camisetas durante 2 horas, e destaque a inegável qualidade do texto de Dimítris Dimitriádis. Também ressalto a distraída não menção do nome de MARGARIDA PEIXOTO, cujo nome consta no programa distribuído a todos os espectadores, como codiretora de A vertigem dos animais antes do abate, ao lado de Luciano Alabarse. Segue o texto de Hohlfeldt, publicado no Jornal do Comércio de Porto Alegre, em 18 de julho de 2014:
 

Ousadia e profunda reflexão

Sempre que temos a possibilidade de conhecer um novo dramaturgo, sobretudo contemporâneo, este é um momento de alegria. No caso de Dimítris Dimitriádis, tão mais importante porque, em ampla circulação na França, onde se encontra consagrado, é quase inédito no Brasil (há uma montagem em São Paulo que adapta um texto de prosa, dele, para o teatro, a exemplo do que já ocorreu na Europa), tanto quanto em seu país de origem, a Grécia, o que não é para admirar, tal a subversão das formas clássicas e a ferocidade com que investe contra o estatuto da classe média.
A vertigem dos animais antes do abate, belíssimo título, que é referido no interior do texto, pelo coro, é uma peça instigante: faz citações mais ou menos diretas a boa parte das tragédias clássicas, de Ésquilo a Eurípides, passando especialmente por Sófocles. Neste texto, igualmente, inverte-se aquilo que Aristóteles havia reconhecido, em seu estudo sobre a tragédia: quem comanda os destinos dos homens são os deuses. Ora, para Dimitriádis é o inverso: quem comanda o universo dos homens são os próprios homens e o grande responsável pela infelicidade humana é o falo masculino. Por isso, ao final do espetáculo, ocorre a autocastração, numa tentativa de eliminar o motivo causador da tragédia. Contudo, o personagem não se dá conta que existe algo mais do que o simples sentido sexual. Quando Militsa planeja o casamento com Nilos, não o faz apenas por uma questão de desejo sexual, mas, mesmo que inconscientemente, por ambição. Esta se torna, no curso da peça, a grande motivadora do que se vai seguir. É o que leva Nilos a romper com Filon: casar com Militsa é o modo pelo qual o casal vai ascender socialmente. Há uma passagem interessante, aí pela metade do texto, em que Nilos recorre à Filon para recompor a maldição que então o amigo e amante lhe antecipara. O que ele necessita é precisar a ordem pela qual a maldição foi pronunciada. O que temos, então, é claro: o final do I ato ocorre quando Nilos apresenta à esposa uma espécie de inventário de todos os imensos bens que possuem. O II ato já se abre, contudo, com o início da queda.
É como se Dimitriádis seguisse a perspectiva debatida, nos anos 1970, por Herbert Marcuse: entre Eros e Tánatos (vida e morte; sexualidade e poder, seja ele financeiro ou político, ou ainda ambos, como se depreende da peça, a contemporaneidade dá preferência ao segundo. Esta é a sua culpabilidade). Nilos, então, recria a ordem da maldição. Relembra Filon: “Viverão felizes no início, vão enriquecer e ter tudo o que nunca sonharam, mas pouco a pouco voltarão a perder tudo”. Esta é a chave, em meu entender, de toda a peça. Para mim, portanto, é menos uma questão psicológica ou algo parecido, mas política, sem o que fica sem sentido toda a passagem que envolve Evguenius, inclusive o fato de ele morrer por uma pretensa revolução gorada. Há, claro, uma relação entre a sexualidade e a Economia/Política (poder) mas há, também, uma avaliação, por parte do dramaturgo, que esta ambição pelo poder mata a sexualidade e produz todos os acontecimentos trágicos que a peça desenvolve. Por isso a reflexão final de Nilos: “Ninguém pode escapar do que lhe está destinado.  Isso é uma pergunta? Não. A pergunta é qual é a pergunta. Ainda não sei qual é a pergunta”.
Luciano Alabarse evidencia enorme ousadia e coragem ao realizar a montagem deste texto. Teve uma bela produção, o que demonstra ter investido forte e resolutamente. A presença do maestro Everton Rodrigues, ao piano, que há poucos dias me chamou a atenção por seu trabalho em Godspell, confirma sua qualificação. A escolha de Chopin, por exemplo, é sensível. A interpretação de Muni é inesquecível. O elenco todo se encontra muito equilibrado, seguro, corajoso.
Teria apenas pequenos reparos a fazer: não entendi por que os homens ficam nus e as mulheres, não. Também discordo do modo pelo qual Alabarse conclui o espetáculo. A incidência final da canção é dispensável. Não se discute a natureza humana quanto à animalidade sexual (erótica) e, sim, quanto à animalidade da ambição.

domingo, 13 de julho de 2014

A VERTIGEM DOS ANIMAIS ANTES DO ABATE: O SACRIFÍCIO DO FALO


Texto escrito pelo historiador e arqueólogo Francisco Marshall, e publicado no caderno Proa do jornal Zero Hora, edição de 13/07/2014:

O SACRIFÍCIO DO FALO
A tragédia A Vertigem dos Animais Antes do Abate, do dramaturgo grego Dimítris Dimitriádis (1944), ora montada por Luciano Alabarse e Margarida Peixoto, realiza no palco do Theatro São Pedro um rito trágico completo, com sacrifício, aniquilamento e a catarse que só as grandes obras podem provocar. Catarse, do grego katharsis, purificação, é o resultado de um ritual profilático, em que, segundo Aristóteles, são purgados terror e piedade, e com isso se produz a experiência do assombro e, ao mesmo tempo, do alívio: todos aqueles horrores aconteceram lá, no palco, mimetizados, e podem ser agora vividos, apreciados e examinados, com a proximidade e a distância dadas pela arte.
O título refere a antessala do abate, na cozinha do sacrifício; nesta, as vítimas são preparadas ritualmente, para que possam recolher todas as máculas do ambiente e assim purgar a comunidade de miasmas que podem embotar as fontes da vida. Este processo era designado pelos romanos como augmentum, a preparação das vítimas, e é disto que trata esta tragédia, de demonstrar a anatomia do sacrifício, de seus pródromos à consumação. Desde o título e em todo o texto, a natureza humana é posta em xeque, pela metáfora animal com a qual se identifica também algo de nossa bestialidade, o peso de uma parte orgânica e irracional do ser humano, que se descobriu ser frequentemente protagônica. Eis aí a questão trágica central: o que é o ser humano, o mais terrível dos seres terríveis? Eis também a questão posta ao espectador: eu sou isto? Quando, como e em que medida?
O drama situa-se no cerne da herança trágica grega. Há nele Ésquilo e a dimensão teológica do destino, há Sófocles como guia dramático e há a passionalidade cínica de Eurípides. Mega-edipiano, o drama começa com a emissão, na quarta cena, de uma profecia pavorosa, em tudo similar à que Tirésias lança no primeiro episódio de Édipo Rei. Esta ousadia do autor, antecipar o desfecho, na obra de Sófocles é sucedida por um desvelamento judiciário e detetivesco da verdade trágica, a mais perfeita peripécia, ao passo que Dimitriádis segue o caminho inverso: explicitar a morfologia cotidiana do trágico, revelá-lo cruamente, tornando evidente o que na tragédia grega clássica era obsceno. Sob o manto da profecia do personagem Fílon e dentro de um palacete burguês, a mais perversa trama de incesto e violência tem lugar: pai, mãe, filhos e filha entregam-se a todos os desejos iníquos, ao ponto de a mãe Milítsa (duplo de Jocasta) ter um filho e neto do próprio filho caçula, Evguenius. Ao contrário do Édipo sofocleano, porém, o protagonista Nilos cresce em riqueza e poder durante a trama, e realiza o destino de que foi advertido, sem ironias ou erro em estado de ignorância (hamartía), imbuído do furor faltoso que o arrasará e à sua família. É a voracidade e a irracionalidade do desejo que são examinados; o sujeito desta pulsão fatal é exposto no texto e no palco, e por fim indiciado como fonte dos males e aniquilado em cena: o falo.
A tragédia grega era criptofálica; havia falo monumental no centro da plateia, sob a forma de uma escultura própria dos ritos de fecundidade do culto de Dioniso, mas jamais se refere ou se apresenta o falo em cena. Todavia, a Atenas clássica era, como definiu Eva Keuls em The Reign of the Phallus (1985), uma falocracia, e nisto Dimitriádis assinala sua contemporaneidade pós-freudiana, e devolve a questão aos trágicos gregos. A inversão trágica trata de apresentar o instrumento de prazer e perpetuação da espécie como causa de sofrimento e aniquilamento. O espectador poderá especular: será o falo este criminoso tal? Será que o signo da virilidade é também símbolo da catástrofe, a origem da perdição dos indivíduos e das famílias? A denúncia atinge o patriarcado ocidental e suas formas de vaidade e poder; logo, é tragédia também histórica, social e política.
Há mais tragédia grega na estética do texto, não apenas na voz do coro, mas também na referência a Antígona e o cadáver do irmão e na marca de Electra, o exame das relações de fraternidade e das vinculações pai-filha. Há também muito Ésquilo, na reflexão sobre o destino que se estende à angústia bíblica e as relações sórdidas entre criador e criatura. Abre-se a questão entre destino, condição humana e inteligência: esta condição trágica é um destino inexorável ou preserva-se autonomia para contornarmos tal sina e vivermos felizes? Édipo é tragédia do destino e, simultaneamente, do indivíduo que se afirma como autor responsável por seus atos. Dimitriádis altera a equação, e põe toda a força do destino no sujeito, apagando da personalidade autoral o freio da consciência, e provocando o empate entre profecia e história. Sempre dentro da fórmula clássica, o dramaturgo elimina todas as possibilidades e conduz a ação para o aniquilamento final, em que se dá a anagnórisis (a passagem da ignorância ao conhecimento), em que tudo deve se tornar claro para os agentes conduzidos por destino ou cegueira, no palco e na vida.
 

terça-feira, 8 de julho de 2014

O QUE O TIO FACEBOOK NÃO DEIXA MOSTRAR

Como muitos sabem, e alguns já sentiram na pele, a política do Facebook não permite o compartilhamento de fotos que sejam por eles consideradas "apelativas sexualmente" ou "imorais". Como o Tio Blogger é mais liberal, resolvi, num acesso de despudor, colocar aqui uma foto de cena em que apareço em nu frontal, clicada pela ótima fotógrafa Luciane Pires Ferreira. A Luciane foi ao Theatro São Pedro, durante nossa temporada de A VERTIGEM DOS ANIMAIS ANTES DO ABATE, e em meio a muitas lindas fotos, algumas delas registram um momento muito especial para mim, em minha carreira: minha estreia, depois de 21 anos de teatro, com um nu. Não é algo tão raro assim, convenhamos: o teatro é um local em que a nudez masculina é bem mais comum que o cinema, por exemplo. Quando cursava Jornalismo na PUCRS fui aluno do Tatata Pimentel na disciplina de Teoria da Comunicação, e uma coisa que ele sempre ressaltava era o horror causado pela visão de um pênis (muito mais agressivo que uma vagina: questão de visibilidade, já que o órgão reprodutor masculino é externo, e o feminino, interno). Tatata exemplificava essa interdição ao nu frontal masculino com imagens de campanhas da Benetton:
 
 
Aqui em Porto Alegre, por inúmeras vezes o nu esteve presente: nos espetáculos do Ói Nóis Aqui Traveiz, do Roberto Oliveira, do Teatro Sarcáustico...Neste ano assistimos também uma excelente montagem, Isso te interessa?, da Cia Brasileira de Teatro, em que os atores permaneciam o tempo todos nus, e não era nada nada apelativo, era lindo e totalmente conveniente à linguagem do espetáculo.
Então, eis aqui minha contribuição à desmistificação da nudez masculina em cena: interpretando o patriarca atormentado Nilos Lákmos de A vertigem dos animais antes do abate, chego a um ponto muito importante da minha vida no teatro: o que a língua inglesa conceitua como point of no return, aquele em que assumo publicamente, com a exposição máxima de meu corpo, minha devoção à minha arte. É provável que essa minha declaração de princípios e amor pelo teatro não soe tão importante assim para ninguém mais além de mim. É que o teatro, apesar de ser uma arte coletiva por definição, acontece primeiro dentro de cada um de nós, atores e atrizes, que nos entregamos, fisicamente e psiquicamente ao nosso ofício, na solitude de nossos corações e mentes. Para mim, esse momento é como a confirmação da crisma no ritual católico. Já que não tenho uma religião oficial, confirmo os votos da minha religião paralela: o Teatro.


 

sábado, 5 de julho de 2014

A VERTIGEM DE UMA ESPECTADORA

 
Uma espectadora assistiu A vertigem dos animais antes do abate e colocou em seu blog (www.tagarela78.blogspot.com.br) as suas impressões. São tão bonitas as palavras da Daniela Spera, que as reproduzo aqui:
 
Uma experiência arrebatadora
Faz tempo que não venho compartilhar minhas impressões sobre algum espetáculo, apesar de estar sempre presente na platéia conferindo o que rola por puro amor e prazer. Ontem, porém, passei por uma experiência arrebatadora ao assistir à estréia de “A Vertigem dos Animais Antes do Abate” no Theatro São Pedro. Tão arrebatadora que senti necessidade de compartilhar.
Não via um trabalho teatral tão bom há tempos. É notória e emocionante a entrega dos atores às personagens. Tanto que eu imagino que eles terminem o espetáculo esgotados tanto física quanto emocionalmente. E nós, a platéia, chegamos ao fim do espetáculo encantados, arrebatados.
Infelizmente, na saída do teatro, no elevador da garagem, alguns casais que desceram conosco comentavam negativamente a peça. Inclusive, perguntaram a mim e ao meu marido se havíamos gostado ao que prontamente respondi que sim, muito. E logo vi narizes torcidos para mim… Os comentários diziam que a peça era doentia e uma das senhoras disse que nem ia conseguir dormir direito. Uma pena que não tenham conseguido captar a mensagem…
Realmente o espetáculo pode ser chocante para algumas pessoas pois trata da selvageria humana, daquilo que nos é mais primitivo, dos instintos. No entanto, o que o público precisa entender é que o fato de tais situações serem encenadas não significa que está sendo feita uma defesa desses comportamentos. Apenas está sendo retratada, como já disse, a selvageria humana, nosso lado mais primitivo. Talvez, se não tivéssemos tantos filtros, se não fôssemos civilizados, se todas as regras,  se todos os valores morais, se o ego e o superego saíssem de cena, nós agíssemos assim. Ou seja, seria o reinado do id. Talvez essas poucas pessoas que desceram conosco no elevador do estacionamento não tenham conseguido fazer essa leitura. Sinto muito por elas. Eu dormi muitíssimo bem, ainda encantada e tocada pelo belíssimo trabalho a que tinha assistido. E é justamente essa a maior beleza do teatro: tocar o público, provocá-lo, emocioná-lo. Missão cumprida com louvor!
A peça mostra uma tragédia grega (literalmente, com todos os elementos típicos) porém contemporânea. As atuações dos atores são brilhantes! A entrega dos atores às personagens é total e linda de se testemunhar. Inclusive, lembro de ter pensado durante o espetáculo no quanto era impressionante ter sido reunido um elenco tão perfeito, de tamanha qualidade. Atores bastante conhecidos do público, como Marcelo Ádams e Ida Celina, e outros nem tanto (pelo menos, menos conhecidos para mim), mas todos excepcionais e talentosíssimos! Cada um ocupando o seu devido lugar e, assim, fazendo um belíssimo trabalho de equipe, tal qual o teatro deve ser.
A montagem está mesmo maravilhosa! O cenário é simples e dinâmico, cumprindo seu papel e deixando que as emoções exploradas pelo texto e pelas brilhantes atuações reinem absolutas. A direção é de Luciano Alabarse, que dispensa maiores comentários ou apresentações, e de Margarida Peixoto. Para completar, a música casa perfeitamente com a ação na bela voz de Muni e com o piano de Everton Rodrigues.
O texto original é do grego Dimitris Dimitriádis e nunca havia sido montado no Brasil. Só o título já conquista: “A Vertigem dos Animais Antes do Abate”, mas havia tantas passagens interessantes que eu juro que senti vontade de abrir a bolsa, puxar papel e caneta e anotar algumas frases. Um exemplo: “As perguntas são os alicerces do mundo. Por isso mesmo devem ficar sem respostas.”
Eu amei! Dou nota máxima, recomendo e assistiria outras vezes com toda a certeza. Felicidade é teatro de qualidade!
Meu único pitaco seria quanto ao desfecho do espetáculo… Minha cabeça ficou imaginando que seria bastante interessante que no momento em que o personagem Nilos Lákmos diz a seguinte fala, na beira do palco, encarando o público: “Eu sou Nilos Lákmos. E vocês quem são?”, poderiam se apagar todas as luzes e terminar o espetáculo. Acho que seria impactante, arrebatador mesmo (mas, claro, é apenas minha humilde, leiga e delirante opinião). Afinal, para mim, esse é o grande lance da peça: você domina os seus demônios ou permite que eles dominem você?
Daniela Annes Spera – Porto Alegre, 04 de julho de 2014
#avertigemdosanimaisantesdoabate
 

quarta-feira, 2 de julho de 2014

FAMÍLIAS FORA DA ORDEM

Nosso espetáculo A vertigem dos animais antes do abate traz, como uma boa reatualização da tragédia grega, uma família como núcleo, onde brotam e apodrecem amores e ódios interditos. No seio dessa família de gregos contemporâneos, os Lákmos, formada pelo patriarca Nilos e a matriarca Militsa, e os filhos Emilius, Evguenius e Starlet, têm lugar terríveis acontecimentos, o que torna ainda mais chocante as ações por eles praticadas. O autor da peça, Dimítris Dimitriádis, ele próprio grego, escreveu seu texto em 2000, recheando de citações à mitologia e às figuras atormentadas da tragédia clássica ática.
O cinema também tem prazer em escarafunchar o interior de famílias, e revelar a tensão que subjaz aí. Alguns filmes que o fizeram, de modo exemplar:

 
Teorema (1968)
 
Os 7 gatinhos (1980)
 
A família Addams (1991)
 
 
Festa de família (1998)
 
Beleza americana (1999)
 
Álbum de família (2013)
 
 

sábado, 28 de junho de 2014

Personagens que passaram por mim

O primeiro espetáculo de teatro que fiz, afora oficinas e cursos, foi em 1993. Nesses 21 anos de atividades em teatro, além de atuar, que é minha função principal, dirigi, escrevi textos, compus trilhas sonoras, criei cenografias, operei sonoplastias...
Algumas dezenas de personagens/figuras me ocuparam nesse tempo, seres imaginários (e algumas vezes, saídos da realidade) aos quais emprestei meu corpo para se materializarem. A alguns tenho mais carinho do que a outros, não vou ser hipócrita; mas todos contribuíram para me fazer ver mais longe, buscar a ampliação dos meus horizontes artísticos. Um jogo que proponho a mim mesmo: lembrar por uns momentos de cada um deles. De alguns não lembro mais o nome, mas suas feições estão vivas na minha memória. Na lista que segue estão apenas as personagens criadas para teatro, ficando de fora as de cinema, TV e as muitas leituras dramáticas:
- Dio, de Uma louca fugiu da gaiola, 1993
- Pupi, de Hotel calibre 38, 1994
- Várias figuras, de A sombra e a luz são vultos, 1994
- Brigitte, de La vie en rose, 1995
- Zahar, de A lenda do unicórnio branco, 1995
- Patrão, de As maracutaias do Dr. Galant, 1997
- Padre, de Luz nas trevas, 1998
- Assessor político, de A gramática, 1998
- Andrei, de As três irmãs, 1999
- Scipião, de Calígula, 1999
- Valmont, de Quartett, 1999 
- Várias figuras, de Mockinpott, 1999
- Grigori Stepanovitch, de O urso, 2000
- Colono Mucker, de As núpcias de Teodora- 1874, 2000
- Mário, de Ano novo, vida nova, 2001
- Várias figuras, de Incompletamente, 2001
- Peter, de A história do jardim zoológico, 2001
- Filipe, de A ronda do lobo- 1826, 2002
- Sigmund, de A secreta obscenidade de cada dia, 2002
- Álvaro Ruperstein, de As cartas marcadas ou Os assassinos, 2003
- Várias figuras, de Pobre b. b., 2003
- Arnolfo, de Escola de mulheres, 2004
- Conde Maurício de Belmont, de A maldição do Vale Negro, 2004
- Niegus, de A viúva alegre, 2004
- Dr. Coppelius, de Ballet Coppélia, 2004
- Ferdinand Vanek, de Goela abaixo ou Por que tu não bebes?, 2005
- Harry, de Sofá, uma comédia picante, 2005
- Várias figuras, de Locomoc e Millipilli- Um quebra-cabeças cheio de aventuras, 2005
- Cincinatus, de Os bacharéis, 2005
- Várias figuras, de Morangos mofados, 2006
- Laertes e Ator-mestre, de Hamlet, 2006
- Várias figuras, de O homem e a mancha, 2006
- Anjo Gabriel, de Sacra folia, um auto brasileiro!, 2006
- Fernando, de Burgueses pequenos, 2007
- Édipo, de Édipo, 2008
- Sganarello, de O médico à força, 2008
- Sócrates, de Górgias ou Discurso sobre a retórica, 2009
- Alcibíades, de O banquete, 2009
- Várias figuras, de Solos trágicos, 2010
- Leonardo, de Bodas de sangue, 2010
- Professor, de A lição, 2010
- Agamenon, de Ifigênia em Áulis + Agamenon, 2011
- Jânio Quadros, de Legalidade, o musical, 2011
- Ferro, de Inimigos de classe, 2012
- Scapino, de Artimanhas de Scapino, 2012
- Várias figuras, de Um certo capitão Verissimo, 2012
- Max Morrow e Jan, de Marxismo, ideologia e rock'n roll, 2013
- Nilos Lákmos, de A vertigem dos animais antes do abate, 2014
 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

A VERTIGEM DOS ANIMAIS ANTES DO ABATE: UMA HISTÓRIA

Tudo começou com um livrinho atravessando o Oceano Atlântico por avião. Tenho costume de importar livros, aqueles que não foram lançados no Brasil (e são muitos!), sejam de teoria teatral, sejam de dramaturgia, assuntos que me interessam muito. De Portugal, vieram várias edições que compõem minha biblioteca, entre eles um pequeno exemplar com algumas peças de um autor grego, Dimítris Dimitriádis, nunca encenado no Brasil, apesar de muito conceituado em toda a Europa. O livrinho ficou na minha estante por meses, até que chegasse a vez dele ser lido (sempre há outros na fila).
Li de uma única sentada todas as peças, entre elas, A vertigem dos animais antes do abate. O título já me instigou, desde o começo. Mas absorvendo a situação dramática proposta pelo autor, fui ficando mais e mais abalado: pela crueza da linguagem, pela ousadia da temática, pelas possibilidades cênicas que me vinham à mente. Decidi na hora em que li a última frase: eu precisava ver essa peça encenada. E mais, eu precisava FAZER essa peça. E foi assim que surgiu o impulso inicial para o nosso novo espetáculo, que estreará no dia 3 de julho, no Theatro São Pedro. Surgiu como uma descarga elétrica, que me fez imediatamente pensar no Luciano Alabarse, parceiro de várias outras montagens, para encená-la. Mostrei a peça ao Luciano e o resultado está aí: também ele se contaminou com o texto. A Margarida uniu-se ao Luciano na direção, arregimentamos um grupo de atores que faziam sentido para essa vertigem e...voilà.
É um espetáculo que vai na contramão do que tem se feito em Porto Alegre, tenho convicção disso. A virulência e a violência jorram da cena, o estranhamento e o identificável se sucedem, se mesclam. Todos os atores estão apaixonados por esse momento teatral que estamos vivendo. E esperamos que os espectadores também se deixem levar nessa voragem. O Minotauro espreita nossas ações, em um labirinto psicanalítico.
De 3 a 6 e de 9 a 13 de julho, no Theatro São Pedro.
Com Marcelo Ádams, Ida Celina, Gustavo Susin, Áurea Baptista, Elison Couto, Pingo Alabarce, Mauro Soares, Plínio Marcos Rodrigues, Alexandre Magalhães e Silva, Muni e Everton Rodrigues
Direção de Luciano Alabarse e Margarida Peixoto

domingo, 22 de junho de 2014

Algumas frases sobre o trabalho dos outros

Falar dos outros é intrínseco ao ser humano. Que prazer se sente ao comentar a maneira como fulano se comporta, ou a estranha indumentária de sicrano, ou de como beltrano mudou de uns tempos para cá. É porque somos seres sociais, não suportamos viver fora do convívio com o Outro. E quer assunto melhor do que falar do que os outros fazem? Acho que falar dos outros só compete no ranking dos assuntos mais populares com o falar de si mesmo, essa uma praga narcísica que acomete a muitos. "Saber ouvir é uma arte": não sei quem disse isso pela primeira vez, mas assino embaixo.
Ocorre que saber ouvir se desdobra em outros "saberes", relacionados ao sentido primeiro de abrir ouvidos e coração ao que o Outro tem a dizer: saber ver, saber escutar (que é mais do que ouvir, porque envolve entendimento), saber sentir. Modernamente, ouvimos bastante música (nos irremediáveis aparelhos eletrônicos: um mar de cabeças envolvidas por pequenos fones de ouvido, que tornam seus portadores estranhos seres, presentes apenas de corpo, sem a percepção integral das coisas).
Parti da ideia de falar dos outros, e cá estou com a ideia de saber ouvir. Vou aproximar os dois verbos, falar e escutar (este mais apropriado para meu intento) para referir ao papel do crítico. Saber falar e escutar, ou melhor, primeiro escutar e depois falar. O corpo do crítico deveria ser uma gigantesca mucosa multisentidos, em que as informações entrariam corpo adentro em forma de imagens visuais, sonoras, gustativas, odoríferas, táteis. O crítico deveria ser um depositório de percepções, que o contaminariam, o obrigando a botar para fora suas percepções em forma de pensamento logicizado: texto escrito, principalmente, mas há outras maneiras, ainda pouco usuais, de externar sua percepção: talvez em breve, tenhamos críticos em vídeo, que deponham oralmente suas impressões sobre uma obra de arte.
Saber escutar, ou, semioticamente falando, saber ler uma obra de arte, é imprescindível para alguém que queira ser conhecido como crítico. Opiniões todos temos, até do preço do tomate que subiu demais nos últimos tempos. Mas ter consistência é outra avenida. O que me incomoda nos textos que leio por aí (principalmente na internet, o paraíso infernal dos que acham que sabem do que estão falando) é a constrangedora falta de conhecimento sobre o que se escreve. Não me peçam para escrever sobre o metabolismo humano, ou sobre o comportamento sexual das abelhas, ou sobre as pragas que assolam as plantações: não tenho nada a dizer sobre isso, e assumo minha ignorância. Mas alguns corajosos encaram bravamente a picaretante arte de escrever sobre arte, mais especificamente o teatro, incentivados por amigos e "admiradores" que sabem ainda menos. Canso de ler na blogosfera tupiniquim pretensas "críticas" que me fazem chorar no cantinho tamanha superficialidade e falta de embasamento. Mas o mais triste é que, se esses pobres corajosos não produzirem seus textinhos, o ato teatral torna-se ainda mais efêmero (será que não é melhor assim, já que, desde sempre, o teatro sobrevive na memória apenas?). Impasse: a liberdade de opinião (que eu defendo totalmente) versus o "mico" de não saber p* nenhuma sobre o que se escreve. Prefiro o silêncio.

sábado, 21 de junho de 2014

Os anos 1980 e o cinema

Ando querendo rever alguns filmes dos anos 1980 que, quando do meu primeiro contato com eles, passaram um pouco rapidamente demais pela minha observação. Devido à extrema juventude, que algumas vezes é sinônimo de imaturidade intelectual, deixa-se de absorver conteúdos mais profundos. Perfeitamente compreensível essa visão superficial, já que acredito no conceito de horizonte de expectativa forjado pelos teóricos da recepção Hans Robert Jauss e Wolfgang Iser. Trocando em miúdos, eles afirmavam que cada um de nós tem um alcance na absorção de uma obra de arte, diretamente relacionado à sua experiência e contato com produtos culturais. Uma analogia possível é a de pessoas que têm "instalado" o equipamento antineblina ILS2, e outras o ILS1: só que no caso da formação cultural, é mais interessante ter o equipamento que exige maior visibilidade para pousos seguros (o ILS1) do que aquele que exige menor visibilidade, e, portanto, menor necessidade de ver mais longe (o ILS2). Ver mais longe, com boas condições técnicas, é uma boa ideia.
Depois dessa "viajada", volto a referir aos filmes que revi ultimamente, três bem sucedidos produtos oitentistas: Gandhi (1982), de Richard Attenborough, Mississipi em chamas (1988), de Alan Parker, e Conduzindo Miss Daisy (1989), de Bruce Beresford.
Este grande vencedor do Oscar de 1982, com oito estatuetas, em minha opinião foi supervalorizado em seus méritos cinematográficos. É um daqueles filmes biográficos que os falantes de língua inglesa tanto prezam, e que já nos deu inúmeros exemplares. Neste, bastante correto em sua gramática cinematográfica, o destaque é para Ben Kingsley, que atua no papel principal, o que lhe valeu um Oscar de Melhor Ator. O que mais pesou para o sucesso do filme foi o carisma da personagem retratada e a boa vontade criada em torno de uma figura tão amada no século XX, um símbolo da busca pela paz e da luta pela liberdade. Mas naquele ano de 1982, outros filmes mereceriam um pouco mais a distinção da Academia hollywoodiana: ET, o extraterrestre, de Steven Spielberg, Tootsie, de Sydney Pollack, e Missing- o desaparecido, de Costa-Gavras. Minha torcida, já naquela época, e por motivos mais emocionais do que qualquer outra coisa, era para ET: o primeiro filme que assisti no cinema. Hoje, com a distância, não hesitaria em defender novamente o filme de Spielberg, que se tornou um clássico imortal, um marco na história da indústria cultural. Já Gandhi está quase esquecido.
 
Neste contundente libelo anti racista, ambientado nos EUA de 1964 em meio aos conflitos que desembocariam na condenação à segregação entre negros e brancos, dali a alguns anos, a estrela principal é a fotografia e a força própria do tema, que se impõe. Em determinado momento, uma das personagens do filme afirma algo como "calar-se sobre a segregação é permiti-la, concordar com ela". Nada mais verdadeiro, e é por isso que são tão importantes os movimentos contra a discriminação promovidos por outros que não as próprias vítimas de preconceito. Se só os negros reclamassem, o alcance seria menor, assim como se apenas homossexuais bradassem contra a homofobia. Todos que nos colocamos contra essas separações forçadas devemos expressar nossa contrariedade, juntar forças e mudar o que está estabelecido. Quanto ao filme, afora a estranha trilha sonora meio eletrônica de Trevor Jones, que sempre me parece um pouco deslocada, como se fosse de outro filme, resistiu bem, com as belas atuações de Gene Hackman, Willem Dafoe, Frances McDormand e Brad Dourif.
 
Quanto a Conduzindo Miss Daisy, o que dizer? Um filme quase nos moldes televisivos, com produção simples e pouquíssimos atores (ainda que muito bem em seus papéis). Mas quando lembro que essa pequena história venceu o Oscar de Melhor Filme, deixando para trás obras muito mais consistentes como Nascido em 4 de julho, de Oliver Stone, Sociedade dos Poetas Mortos, de Peter Weir, e Meu pé esquerdo, de Jim Sheridan, fica difícil engolir o prêmio principal. Jessica Tandy, aos 80 anos, vencendo o Oscar de Melhor Atriz, certamente comoveu a todos, e ela está muito bem como a protagonista. Mas não se trata de um filme que deixe marcas nos espectadores, apenas uma doce lembrança, causada pela nostalgia da época em que a história se passa, dos anos 1950 aos anos 1960. De novo, o tema da segregação entre negros e brancos aparece (muito sutil), e Martin Luther King é ouvido em um trecho do filme, discursando. Mas é pouco para tanto reconhecimento. Aliás, uma surpreendente não indicação ao Oscar de Melhor Diretor para Bruce Beresford já antecipava que os votantes da Academia não estavam muito convencidos do valor do filme. Eu torcia pela comovente defesa da arte que se vê em Sociedade dos Poetas Mortos, um filme que popularizou a frase em latim, do poeta romano Horácio (65 a.C.-8 a.C.): Carpe Diem, ou "aproveite o momento". Uma frase tão curta e tão absoluta em sua verdade. O momento é o que conta, e para nós que fazemos teatro, esse é o nosso ato de fé: é no momento único, presente, que as coisas acontecem sobre o palco; um segundo apenas, e já é passado.

terça-feira, 20 de maio de 2014

NINA, O MONSTRO E O CORAÇÃO PERDIDO

A delicadeza com a qual toda a equipe do espetáculo de teatro para crianças Nina, o monstro e o coração perdido trabalhou é luminosa. Partindo da dramaturgia, de Martina Schreiner, a diretora Lúcia Bendati, assistida por Larissa Sanguiné, entregam ao público um produto de qualidade, bem acabado em todos os aspectos, e visualmente muito estimulante. Com uma estrutura narrativa bastante cara ao teatro para crianças (a de atores-narradores que, ao mesmo tempo em que contam a história, a encenam), o espetáculo encanta em vários momentos, pelo carisma dos atores, pelo jogo afiado que se instala entre eles, e pela alegria que demonstram em contar a história. Versáteis e muito talentosos, Alex Limberger, Gustavo Dienstmann e Valquíria Cardoso se desdobram em várias figuras, para contar a saga da busca do coração de Nina, que havia se desfeito dele por não querer mais ter as inevitáveis mudanças de humor, entre alegria e tristeza e seus matizes. Mesmo que haja um grande equilíbrio entre os atores, no sentido de qualidade atorial, fiquei feliz em conhecer o trabalho de Alex Limberger, o único que ainda não havia visto em cena: dono de uma linda voz, e de um completo domínio de seus recursos físicos, Alex tem uma segurança e uma sutileza em cena que são realmente merecedores de registro. Encantadores também são os figurinos, criados por Gustavo, Valquíria e Martina, e a cenografia, bolada por Alex e Martina. Aliás, fiquei bem impressionado com a cenografia, que, de tão simples, atinge um alto grau de sofisticação metafórica, a partir da utilização de escadas que se desdobram, se desmontam, se unem, transmitindo a ideia de escalada, e por sua vez, de trajetória rumo ao coração perdido. Perfeito.
Espetáculos como Nina, o monstro e o coração perdido são muito importantes no panorama do teatro local, pois mostram o quão rica pode ser uma experiência cênica ao vivo, sem a intermediação de telas touch screen ou consoles de videogame. Por um pouco mais de uma hora, os espectadores, adultos e crianças, deixaram-se envolver pelo jogo proposto no palco, muito bem humorado, mas de seguidas arremetidas poéticas. Belo espetáculo, que deverá ter carreira longa, assim espero.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

ASSOBIOS MAL INTENCIONADOS

Duas cenas célebres da história do cinema envolvem assassinos que assobiam antes de matar suas vítimas. Em M- O vampiro de Düsseldorf (1931), de Fritz Lang, a personagem de Peter Lorre assobia The hall of mountain king, de Grieg.
 
 


Em A morte tem cara de anjo (1968), de Roy Boulting, o assobio é da música composta por Bernard Herrmann (compositor dos filmes hitchcockianos Psicose, Um corpo que cai e Intriga internacional). Em 2003, Quentin Tarantino aproveitou o assobio em Kill Bill- Volume I, com Daryl Hannah encarnando a assobiadora do mal.
 
 


BICICLETINHAS DO MAL

Curiosa reflexão eu fiz, revendo A profecia (1976), este clássico do cinema de horror dirigido por Richard Donner. Aparentemente, há algo de apavorante em triciclos, já que nessa cena vemos o menino Damien (também conhecido como o filho de Satanás) causando a queda da mãe (Lee Remick).




Em outra cena emblemática, temos o pequeno Danny Torrance em O iluminado (1980), de Stanley Kubrick, em suas famosíssimas sequências pilotando seu triciclo pelos corredores do Overlook Hotel.
 
 




segunda-feira, 28 de abril de 2014

Meu orientador, José Ronaldo Faleiro

Iniciei neste 2014 meus estudos de Doutorado, no Programa de Pós-Graduação em Teatro da Udesc (Universidade Estadual de Santa Catarina). No Brasil, existem poucos lugares onde é oferecido o Doutorado em Teatro (Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia), e a opção pelo estado vizinho me pareceu a mais adequada para meu atual momento profissional, já que não tenho disponibilidade para morar fora do Rio Grande do Sul agora.
No entanto, a escolha por Florianópolis como destino nos próximos quatro anos de estudos não deveu-se apenas à proximidade geográfica, mas também pela escolha do orientador que eu desejava para me acompanhar nessa trajetória: o professor Dr. José Ronaldo Faleiro, que leciona na graduação e na pós-graduação da Udesc há vários anos.
Faleiro é gaúcho, e formou-se, como eu, em Direção Teatral no DAD- UFRGS, em 1970, além da Licenciatura em Teatro. De 1972 a 1986 morou na França, onde foi aluno de nomes fundamentais do teatro no século XX, como Bernard Dort, Richard Monod, Jacques Lecoq, Monique Borie, Philippe Gaulier, Monika Pagneux, Mario Gonzalez, Judith Malina e André Veinstein. Ainda em Porto Alegre, fez parte do lendário Grupo Província, e após sua mudança para Paris, foi correspondente do Correio do Povo, além de ator e diretor.
Antes mesmo de fazer a rigorosa e concorrida seleção para o Doutorado, formada por prova escrita, análise do projeto de tese e entrevista, escrevi para o Faleiro declarando minha vontade de ser orientado por ele, caso fosse admitido. Depois de meses de seleção, tendo sido aprovado em primeiro lugar, fui premiado com sua escolha para meu orientador.
Fiquei muito feliz e, ainda mais após conhecê-lo mais de perto, encantado não apenas com o conhecimento enciclopédico de Faleiro, mas com sua generosidade e simplicidade, estes sim indícios de grandeza intelectual. Faleiro é um gentleman (expressão que já ouvi de algumas pessoas ao se referirem a ele), e tem sido um grande prazer conviver semanalmente com esse grande professor. Temos, além de tudo, uma coincidência a nos unir: ambos somos casados com uma Margarida: a dele, a carioca Margarida Baird, é uma atriz de longa trajetória nos palcos brasileiros. Participou de alguns dos grandes espetáculos já produzidos em nosso país, como Arena conta Zumbi, sob a direção de Augusto Boal, Roda viva, Na selva das cidades e Galileu Galilei, sob a direção de José Celso Martinez Corrêa, e O cemitério de automóveis, sob o comando do diretor argentino Victor García.
Neste semestre, além de sua orientação, sou seu aluno em uma disciplina que tem me dado muito prazer de cursar, chamada "O ator e a máscara", em que ele divide a docência com outro grande professor, Níni Beltrame (cujo filho é meu vizinho aqui em Porto Alegre, morando no prédio ao lado do meu). Em suma, e como eu já sabia, estudar é uma das minhas grandes alegrias: e quando isso acontece junto de pessoas que realmente fazem a diferença, só resta aproveitar, pois quatro anos passam muito rápido!
 

domingo, 26 de janeiro de 2014

12 ANOS DE TEATRO AO QUADRADO

Neste dia 27 de janeiro de 2014 comemoramos os 12 anos de criação da CIA TEATRO AO QUADRADO, que iniciou sua trajetória no verão de 2002. A criação da companhia, por mim e por minha mulher, Margarida Peixoto, surgiu como uma busca de autonomia artística, uma necessidade de colocarmos em prática nossas ideias sobre teatro, paralelamente ao trabalho que já vínhamos desenvolvendo (e continuamos a fazê-lo) com outras companhias de teatro e encenadores. Eu e Margarida, ambos atores, diretores e professores de teatro, desejávamos organizar uma estrutura profissional para encenar dramaturgos que nos interessam, gêneros que nos apaixonam e formas estéticas que nos instigam. Assim surgiu o Teatro ao Quadrado, que tem uma curiosidade nessa trajetória: quando montamos nossos dois primeiros espetáculos, A SECRETA OBSCENIDADE DE CADA DIA, em 2002, e ESCOLA DE MULHERES, em 2004, não usávamos ainda o nome TEATRO AO QUADRADO, mas sim CAIXA PRETA. O hoje consagrado nome do coletivo fundado por Jessé Oliveira (de espetáculos como Transegun, Hamlet Sincrético e O osso de Mor Lan) foi cedido por nós, quando formou-se aquele grupo, que tem como principal diferencial ser integrado quase totalmente por atores negros. Achamos uma decisão lógica, e justa, já que Caixa Preta adequava-se muito mais a eles. Buscamos, então, um novo nome, surgindo Teatro ao Quadrado, que tem nos dado muita sorte.
O Teatro ao Quadrado encenou dez espetáculos nesses doze anos, e prepara-se, em 2014, para estrear seu décimo primeiro trabalho, financiado pela Funarte/Ministério da Cultura, através do Prêmio Myriam Muniz de Teatro 2013: OS HOMENS DO TRIÂNGULO ROSA. Mas enquanto não chega o novo espetáculo, aí vão imagens dos dez anteriores, para comemorar esses 12 anos de trabalho:

A SECRETA OBSCENIDADE DE CADA DIA
2002

 ESCOLA DE MULHERES
2004

GOELA ABAIXO OU POR QUE TU NÃO BEBES?
2005

SOFÁ, UMA COMÉDIA PICANTE
2005

BURGUESES PEQUENOS
2006

 O MÉDICO À FORÇA
2008

 MÃES & SOGRAS
2010

 A LIÇÃO
2010

ARTIMANHAS DE SCAPINO
2012

 AU AU! UMA AVENTURA DE NATAL
2012

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

TEATRO EM PORTO ALEGRE: parte 4- AS ATRIZES

MELHOR ATRIZ
Atrizes, mulheres talentosas que entregaram seus corpos e emoções às plateias que tiveram a felicidade de assisti-las. Intérpretes inesquecíveis, personagens perenes que habitam nossas memórias e retornam, fugazmente, em flashes brilhantes, que confirmam a beleza de suas atuações. Essas foram as atrizes premiadas com o Troféu Açorianos de Melhor Atriz, a partir de 1980:
 
 
SANDRA DANI
Melhor Atriz em
1980, por SALÃO GRENÁ
1993, por DESCRIÇÃO DE UMA IMAGEM
1998, por COMO UM SOL NO FUNDO DO POÇO
2006, por CALAMIDADE
2007, por MEDEIA
 
Sandra Dani é uma das mais importantes artistas de nosso Estado, e há mais de 40 anos tem atuado no teatro porto alegrense, com incursões pelo cinema e pela TV. Entre seus muitos trabalhos em teatro, podem ser citados Hamlet (1972), Quem roubou meu Anabela? (1972), A ópera dos três vinténs (1973), Boneca Teresa- Canção de amor e amor e morte de Gelsi e Valdinete (1975), Sexta-feira das paixões (1975), The Bakkay (1983, nos EUA), Apareceu a Margarida (1983), A gaivota (1990), Alpes em chamas (1992), Casca de ferida ou Vamos brincar de gente grande? (2001), Beckett na veia (2003), Platão dois em um (2009), Bodas de sangue (2010) e Oh, os belos dias (2013, em SP). 
 
Sandra Dani
em Salão grená 
 
Sandra Dani
em Descrição de uma imagem
 
Sandra Dani
em Como um sol no fundo do poço
 
Sandra Dani
em Calamidade
 
Sandra Dani
em Medeia
 
 
*****
 
 
PILLY CALVIN
Melhor Atriz em 1981,
por LOVE, LOVE, LOVE
 
Nascida em Valência, na Espanha, Pilly Calvin veio ainda jovem para o Brasil, onde formou-se em Biologia (profissão nunca exercida). Após descobrir-se apaixonada pelo teatro, iniciou sua carreira como atriz e professora na área. Entre os espetáculos que participou estão Banana (1980), O que seria do vermelho se não fosse o azul? (1981), A verdadeira história de Édipo rei (1985), A sétima lua (1987), O marido era o culpado (1989), Beija-me a bouca, amor (1990), Os saltimbancos (1991), Enquanto os anjos tomam Coca Cola (2001) e Transe (2013). 
 
 
*****
 
 
ÂNGELA GONZAGA
Melhor Atriz em 1982,
por OS REIS VAGABUNDOS
 
Ângela Gonzaga é professora universitária, diretora teatral e preparadora de elenco para cinema, estando um pouco afastada dos palcos como atriz. Entre os espetáculos em que atuou estão Quem manda na banda (1981), Parentes entre parênteses (1987) e Peer Gynt, o imperador de si mesmo (1987).
 
ÂNGELA GONZAGA
em Os reis vagabundos (junto de Sérgio Lulkin)
 
 
*****
 
 
FABIANE FOGLIATTO
Melhor Atriz em 1983,
por SEGUNDO TEMPO
 
 
Fabiane Fogliatto deixou de lado sua carreira de atriz, e dedicou-se à docência na área do teatro, trabalhando na prefeitura de Porto Alegre.
 
 
*****
 
 
ARACI ESTEVES
Melhor Atriz em 1984,
por CHAMPANHE PARA MÃE TUDA
 
Araci Esteves é uma das mais prestigiadas atrizes gáuchas, com uma longa carreira no teatro, cinema e TV, que já dura 50 anos. Uma das fundadoras do GTI- Grupo de Teatro Independente, em 1965, e que daria origem ao Teatro de Arena, junto com Jairo de Andrade e Alba Rosa, dois anos depois. Atuou em inúmeros espetáculos teatrais, entre eles Vereda da Salvação (1964), Soraya Posto 2 (1966), Toda nudez será castigada (1967), A serpente (1970, no RJ), Sexta-feira das paixões (1975), Boneca Teresa ou Canção de amor e morte de Gelsi e Valdinete (1975), Happy end (1981), O rei da vela (1982), Que se passa, Che? (1982), A gaivota (1989), Um inimigo do povo (1994), Um homem é um homem (1994), Maria Degolada (2001), Beckett na veia (2003) e MarLeni (2009). No cinema, seu papel de maior de destaque é como a protagonista do filme Anahy de las missiones (1997), dirigido por Sérgio Silva.
 
ARACI ESTEVES
em Champanhe para Mãe Tuda
 
 
*****
 
 
CIÇA RECKZIEGEL
Melhor Atriz em 1985,
por A LIÇÃO
 
Ciça Reckziegel é professora do Departamento de Arte Dramática da UFRGS, e integra a UTA- Usina do Trabalho do Ator desde 1996. Alguns dos espetáculos nos quais participou como atriz são: Parentes entre parênteses (1986), Império da cobiça (1987), Hamletmachine (1987), Lisístrata (1988), A mulher só (1989), A maldição do castelo (1992), Mala noche (1993), O extraordinário teatro de curiosidades da família Marks (1996), O ronco do bugio (1996), Mundéu: o segredo da noite (1998), A mulher que comeu o mundo (2006) e 5 tempos para a morte (2010). Em cinema, atuou em um dos mais premiados curta metragens da história do cinema brasileiro, Ilha das flores (1989), de Jorge Furtado.
 
CIÇA RECKZIEGEL
em A lição (à frente de Zé Adão Barbosa e Ísis Medeiros)
 
 
*****
 
 
ILANA KAPLAN
Melhor Atriz em 1986,
por PASSAGEM PARA JAVA
 
Ilana Kaplan vive em São Paulo desde 1995, onde atua em teatro, cinema e TV. Antes de sua mudança, no entanto, integrou o elenco de alguns grandes sucessos de público em Porto Alegre: Lisístrata (1988), Partituras (1990) e Buffet Glória (1991). Após sair de Porto Alegre, atuou em espetáculos como Don Juan (1995), Arsênico e alfazema (1996), O burguês ridículo (1997), Terça insana (2004) e Ensina-me a viver (2007).
 
 
ILANA KAPLAN
em Passagem para Java (junto de Verlaine Pretto)
 
 
*****
 
 
VERLAINE PRETTO
Melhor Atriz em 1986,
por PASSAGEM PARA JAVA

 
Afastada dos palcos há vários anos, e vivendo em São Paulo, Verlaine Pretto foi assídua na cena de Porto Alegre nos anos 1980. Entre os espetáculos em que atuou estão No vale dos pimentões (1983), Tem um albino do meu lado (1983), Chapéu vermelhinho (1984), Os Pedrocks (1985) e Não aos desconhecidos (1985).
 
VERLAINE PRETTO
em Passagem para Java (junto de Ilana Kaplan)
 
 
*****
 
 
ROSÂNGELA BATISTELLA
Melhor Atriz em 1987,
por UM BEIJO, UM ABRAÇO, UM APERTO DE MÃO
 
Presença constante nos palcos de Porto Alegre nos anos 1980, Rosângela Batistella tem atuado menos nos últimos anos. Fez parte do elenco de Marat/Sade (1982), Reunião de família (1984), Senhora dos afogados (1985), Mulher no palco (1985), O balcão (1986), A gaivota (1989), Essência de macaco (1989), Uma graça de traça (1990), George Dandan, o marido enganado (1991), Hotel Atlântico (1992) e Ifigênia em Áulis + Agamenon (2011).
 
Rosângela Batistella
em Um beijo, um abraço, um aperto de mão
 
 
 *****
 
 
MIRNA SPRITZER
Melhor Atriz em 1988,
por MAHAGONNY
 
Mirna Spritzer é professora do Departamento de Arte Dramática da UFRGS, e desenvolve uma carreira de atriz em teatro, cinema e TV. Entre seus espetáculos estão Um edifício chamado 200 (1977), Frankie, Frankie, Frankenstein (1979), Salão grená (1980), Uni, duni, tê (1980), Happy end (1981), O rei da vela (1982), No Natal a gente vem te buscar (1983), O casamento do pequeno burguês (1984), A aurora da minha vida (1985), A maldição do Vale Negro (1986), Onde estão os meus óculos? (1990), Um homem é um homem (1994), Noite Brecht (1998), Programa de família (2000), Babel Genet (2008), Stand up drama (2013) e Cidade proibida (2013). 
 
MIRNA SPRITZER
em Mahagonny
 
 
*****
 
 
LURDES ELOY
Melhor Atriz em 1989,
por BELLA CIAO
 
Lurdes Eloy atua, há mais de 45 anos, nos palcos de Porto Alegre. Premiada atriz de teatro e teledramaturgia, conta com grandes espetáculos em seu currículo, dentre os quais estão A ópera dos três vinténs (1969), Vestido de noiva (1973), A viagem de André (1973), Jota Vilão na terra dos girassóis (1975), Lisarb, ou multi antes pelo contrário (1980), Apocalipse, a peça (1981), Que se passa, chê? (1982), Nem peixe nem carne ou muito antes pelo contrário (1983), Um beijo, um abraço, um aperto de mão (1987), Nossa cidade (1991), Ardente paciência- Uma carta para Neruda (1995), King Kong Palace- O exílio de Tarzan (1996), Fulaninha e Dona Coisa (1999), Ano novo, vida nova (2001), Medeia (2007), Bodas de sangue (2010), Ifigênia em Áulis + Agamenon (2011) e A mulher sem pecado (2011).
 
LURDES ELOY
em Bella ciao (junto de Carlos Cunha Filho)
 
 
*****
 
 
GISELE PERONI
Melhor atriz em 1990,
por MISTÉRIOS DO SEXO
 

Gisele Peroni está afastada dos palcos há vários anos. Participou como atriz dos espetáculos A peça do Tilinho (1990), Medeia (1992), Arlequim, servidor de dois patrões (1993), Família Monstro (1994) e Jacobina- Uma balada para o Cristo mulher (1995). 
 
GISELE PERONI
em Mistérios do sexo (junto de Henri Iunes)
 
 
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 LÍGIA RIGO
Melhor Atriz em
1991, por MACÁRIO, O AFORTUNADO
1997, por A BOTA E SUA MEIA
2000, por MEHRDA, PRESIDENTAS!
 
Afastada dos palcos há alguns anos, Lígia Rigo é uma das atrizes mais premiadas de nosso teatro adulto e infantil, em uma carreira desenvolvida principalmente nos anos 1980 e 1990, junto à Cia Face & Carretos. Entre os vários espetáculos em que atuou estão Todos ao mar (1984), Lembras de La Strada? (1985), O assassinato do crítico teatral (uma comédia de maus costumes) (1985), Bento Gonçalves- General dos Farrapos: O pequeno general (1985), O ferreiro e a morte (1987), A ópera do invasor (1988), Escola com palhaços (1992), Uma chance para Feuerbach (1993), Sapolândia (1993), Homem branco e pele vermelha (1994), Peter Pan (1994), Esconderijos do tempo (1996), O boi dos chifres de ouro (1998), Maria Degolada (2001) e Pé de sapato (2005).
 
LÍGIA RIGO
em A bota e sua meia (junto de Lutti Pereira)
 
 
LÍGIA RIGO
em Mehrda, presidentas!
 
 
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IRENE BRIETZKE
Melhor Atriz em 1992,
por ANA STEIN COMPRA UMA CALÇA E VEM JANTAR COMIGO
 
Irene Brietzke é conhecida principalmente como encenadora de memoráveis montagens de peças de Bertolt Brecht, nos anos 1980 e 1990, mas também tem em seu currículo uma série de espetáculos em que atuou como atriz. Dentre eles estão Quatro pessoas passam enquanto as lentilhas cozinham (1966), Dona Rosita, a solteira (1967), A ópera dos três vinténs (1969), Casa de Orates (1970), Agamenon (1971), Quem roubou meu Anabela? (1972), Rodolfo Valentino (1975), Sexta-feira das paixões (1975), Salão grená (1980), A aurora da minha vida (1985), Onde estão os meus óculos? (1990) e New York, New York (1995).
 
IRENE BRIETZKE
em Ana Stein compra uma calça e vem jantar comigo
(à direita na foto, antecedida por Ida Celina e Sérgio Silva)
 
 
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DEBORAH FINOCCHIARO
Melhor Atriz em 1994,
por HAMLETO
 
Deborah Finocchiaro tem uma sólida carreira como atriz, trabalhando, nos últimos anos, principalmente com solos que viajam por todo o interior do Estado e pelo Brasil. Entre os espetáculos em que atuou estão Morangos mofados (1985), Gaspar Hauser (1986), O patinho feio (1987), Risco, Arisco e Corisco (1987), Fulano (1991), Arca de Noé (1991), Teatro pra mim é grego (1992), Pois é, vizinha... (1993), Os crimes da Rua do Arvoredo (1999), Hobbárcu (2000), Ano novo, vida nova (2001), A fada que tinha ideias (2005), O macaco e a velha (2005), Sobre anjos e grilos- O universo de Mario Quintana (2006) e Um certo capitão Verissimo (2012).
 
 
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LU ADAMS
Melhor Atriz em 1995,
por O PARTURIÃO
 
Lu Adams atuou em vários espetáculos de teatro adulto e infantil, além de ter trabalhado como apresentadora de TV. Alguns de seus espetáculos são O santo inquérito (1987), A serpente (1988), Flicts (1989), O jogo da velha (1989), Escondida na calcinha (1990), A dama e os vagabundos (1992), Pequeno príncipe em busca de um amigo (1994), Sopa de palhaços (1997), Pão e circo- Circo Girassol (2000), Trem bala (2000), Almas gêmeas (2003) e 5º andar, por favor! (2012).
 
LU ADAMS
em O parturião (entre Heitor Schmidt e Yve Machado)
 
 
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NAIARA HARRY
Melhor Atriz em 1996,
por 1941
 
Naiara Harry divide sua carreira entre trabalhos em teatro, cinema e TV. Alguns dos seus trabalhos em palco são O rei da vela (1980), Marat/Sade (1982), Pic nic (1983), O pulo do gato (1985), Nietzsche no Paraguai (1986), Dom Quixote e Dulcineia (1987), As núpcias de Teodora- 1874 (2000), Ano novo, vida nova (2001), A ronda do lobo- 1826 (2002), Mulheres insones (2006), Mães & sogras (2010) e Cabaré do Ivo (2011).
 
NAIARA HARRY
em 1941 (à esquerda, junto de Kiko Medeiros e Catulo Parra)
 
 
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DANIELA CARMONA
Melhor Atriz em 1999,
por GUETO BUFO
 
Daniela Carmona é, além de atriz e encenadora, professora de teatro, sendo uma das fundadoras do TEPA, uma das escolas de teatro mais importantes de Porto Alegre. Alguns dos espetáculos em que atuou são Antônio Chimango (1985), Os náufragos (1992), Inimigo do povo (1993), Larvárias (2006), Clownssicos (2007) e O sonho de uma noite de verão (2008).
 
DANIELA CARMONA
em Gueto bufo
 
 
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CELINA ALCÂNTARA
Melhor Atriz em 2001,
por NOS MESES DA CORTICEIRA FLORIR
 
Celina Alcântara é professora do Departamento de Arte Dramática da UFRGS, e integra a UTA- Usina do Trabalho do Ator. Espetáculos em que atuou: A serpente (1988), Aprendizes do império (1989), Amores e facadas (1991), Lelé da cuca (1991), Claxon (1993), O mestre ausente (1994), O ronco do bugio (1996), Mundéu: o segredo da noite (1998), A mulher que comeu o mundo (2006), 5 tempos para a morte (2010) e B... em cadeira de rodas (2013).
 
CELINA ALCÂNTARA
 em Nos meses da corticeira florir (sentada, junto de Dedy Ricardo)
 
 
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IDA CELINA
Melhor Atriz em 2002,
por ALMOÇO NA CASA DO SR. LUDWIG
 
Ida Celina é uma das grandes atrizes gaúchas, em uma carreira que ultrapassa os 45 anos de dedicação ao teatro. Entre os muitos espetáculos dos quais tomou parte, podem ser citados Dona Rosita, a solteira (1967), Entre quatro paredes (1968), Os fuzis da Senhora Carrar (1968), A moreninha (1970), Teatro, variações sobre o tema (1972), A ópera dos três vinténs (1973), Jogos na hora da sesta (1976), No Natal a gente vem te buscar (1983), O casamento do pequeno burguês (1984), A maldição do Vale Negro (1986), Ana Stein compra uma calça e vem jantar comigo (1992), Mala noche (1993), Um homem é um homem (1994), Maldito coração (Me alegra que tu sofras) (1996), King Kong Palace- O exílio de Tarzan (1996), Casca de ferida (2001), Beckett na veia (2004), Heldenplatz (2005), Hamlet (2006), Medeia (2007), Édipo (2008), MarLeni (2009), Bodas de sangue (2010) e Ifigênia em Áulis + Agamenon (2011). 
 
 
IDA CELINA
em Almoço na casa do Sr. Ludwig (de pé, junto de Sandra Dani e Luiz Paulo Vasconcellos)
 
 
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RENATA DE LÉLIS
Melhor Atriz em 2003,
por SALOMÉ DECAPITADA
 
Atriz e bailarina, Renata de Lélis começou muito cedo, aos 14 anos, a atuar nos espetáculos da Cia Face & Carretos, dirigida pelo pai, Camilo de Lélis. Além de teatro, tem incursões em cinema e teledramaturgia. Alguns de seus espetáculos: Sapolândia (1993), Peter Pan (1994), O estranho Senhor Paulo (1996), O fantasminha da ópera (1996), O boi dos chifres de ouro (1998), Os crimes da Rua do Arvoredo (1999), Mehrda, presidentas! (2000), Mulher no palco (2001) Travessias (2004), Sonho de uma noite de verão (2006), Dores em Allegro (2010), Milkshakespeare (2010), Vestido de noiva (2012-RJ), Tão longe, tão perto, tão perto, TÃO... (2012), Landell de Moura- O incrível padre inventor (2012) e O monstro de olhos verdes, ou Por quem morrem as pombas? (2013).
 
RENATA DE LÉLIS
em Salomé decapitada
 
 
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ARLETE CUNHA
Melhor Atriz em 2004,
por HILDA HILST IN CLAUSTRO
 
Arlete Cunha iniciou sua carreira na Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, há 30 anos, e após sua saída do grupo, trabalhou em diferentes coletivos de teatro de Porto Alegre. Entre seus espetáculos estão A visita do presidenciável ou Os morcegos estão comendo os abacates maduros (1984), Teon (1985), Fim de partida (1986), Ostal (1987), A exceção e a regra (1987), A história do homem que lutou sem conhecer seu grande inimigo (1988), Antígona- Ritos de paixão e morte (1990), Dança da conquista (1990), Deus ajuda os bão (1991), Se não tem pão, comam bolo! (1993), O ronco do bugio (1996), Muito cacique para pouco índio (1996), Espancando a empregada (1997), O barão nas árvores (1998), Pra cima com a viga, moçada (1998), Os fuzis da Senhora Carrar (1998), Doroteia (1999), Deus e o diabo na terra de Miséria (1999), Hobbárcu (2000), Alice Maravilha (2000), Antígona (2004), Heldenplatz (2005), Mamãe foi pro Alaska (2006), Clownssicos (2007), O sonho de uma noite de verão (2008).
ARLETE CUNHA
em Hilda Hilst in claustro
 
 
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SANDRA POSSANI
Melhor Atriz em
2005, por DR. QS- QURIOZAS QOMÉDIAS
2008, por A MEGERA DOMADA
 
Sandra Possani iniciou como atriz na Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, atuando também junto aos grupos Depósito de teatro e Cia Rústica. Atualmente vive em Recife (PE), onde desenvolve uma premiada carreira na cena pernambucana. Entre seus espetáculos estão Ostal (1987), Antígona- Ritos de paixão e morte (1990), Dança da conquista (1990), Deus ajuda os bão (1991), Se não tem pão, comam bolo! (1993), Os três caminhos percorridos por Honório dos anjos e dos diabos (1993), Missa para atores e público sobre a paixão e o nascimento do Dr. Fausto de acordo com o espírito de nosso tempo (1994), Independência ou morte (1995), O barão nas árvores (1998), O beijo no asfalto (1998), Boca de ouro (1998), Risco, Arisco e Corisco (1999), O pagador de promessas (2000), A farsa do Panelada (2000), Auto da Compadecida (2001) e Aquelas duas (2003).
 
SANDRA POSSANI
em Dr. QS- Quriozas qomédias (à direita na foto, olhando para Plínio Marcos Rodrigues)
 
SANDRA POSSANI
em A megera domada (junto de Heinz Limaverde)
 
 
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LIANE VENTURELLA
Melhor Atriz em 2006,
por CALAMIDADE
 
Uma das mais completas atrizes gaúchas, Liane Venturella, além de teatro, atua em cinema e teledramaturgia. Entre espetáculos para público infantil e adultos, alguns de seus trabalhos são: O musical da menina do chapeuzinho vermelho (1986), Aladim (1987), Complexo de Alice (1988), Rapunzel (1988), Zumbioverdose (1989), Estórias da carochinha (1990), Decameron (1993), O rei nunca riu (1993), O pastelão (1995), Arlecchino, servidor de dois patrões (1997), Uma professora muito maluquinha (1997), O barão nas árvores (1998), O beijo no asfalto (1998), Doroteia (1999), Risco, Arisco e Corisco (1999), A farsa do Panelada (2000), Auto da Compadecida (2001), Toda nudez será castigada (2001), Aquelas duas (2003), DentroFora (2009), O estranho cavaleiro (2013) e Pequenas violências silenciosas e cotidianas (2013).
 
LIANE VENTURELLA
em Calamidade (à esquerda, junto de Sandra Dani)
 
 
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TÂNIA FARIAS
Melhor Atriz em
2009, por O AMARGO SANTO DA PURIFICAÇÃO
2013, por MEDEIA VOZES
 
Tânia Farias é um dos pilares do Ói Nóis Aqui Traveiz, um dos mais duradouros coletivos de teatro do Brasil. Após ter entrado no grupo, nos anos 1990, tornou-se uma das personalidades mais emblemáticas de nossas artes cênicas, sendo destacável, além de seu grande talento, sua luta pela arte como prioridade em um país pouco receptivo a ela. Espetáculos: A roupa nova do rei (1994), A heroína de Pindaíba (1996), A morte e a donzela (1997), Hamlet Máquina (1999), A saga de Canudos (2000), Aos que virão depois de nós- Kassandra in process (2002), A missão (Lembrança de uma revolução) (2006) e Viúvas- Performance sobre a ausência (2011).
 
TÂNIA FARIAS
em O amargo santo da purificação
 
TÂNIA FARIAS
em Medeia vozes
 
 
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VANISE CARNEIRO
Melhor Atriz em 2010,
por NOVE MENTIRAS SOBRE A VERDADE
 
Vanise Carneiro atua em teatro e cinema, principalmente como atriz, com algumas incursões pela direção teatral. Espetáculos: Besame mucho (1992), Joãozinho e a bicicleta (1992), Hamleto (1994), O bandido e o cantador (1996), Abajur lilás (1997), Biba, Dudu, Molenga e Chorona (1998), O beijo no asfalto (1998), Ella (1998), Toda nudez será castigada (2001), Macbeth- Herói bandido (2004), Pandolfo no reino da Bestolândia (2005) e Crucial: dois um (2007).
 
VANISE CARNEIRO
em Nove mentiras sobre a verdade
 
 
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VANESSA GARCIA
Melhor Atriz em 2011,
por A MULHER SEM PECADO
 
Vanessa Garcia é principalmente bailarina, com algumas incursões como atriz. Em teatro, atuou em O despertar da primavera (2010). Atualmente mora no Rio de Janeiro.
 
VANESSA GARCIA
em A mulher sem pecado (junto de Luciano Mallmann)
 
 
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PATRÍCIA SOSO
Melhor Atriz em 2012,
por CARA A TAPA
 
Patrícia Soso atualmente vive em São Paulo, e tem em seu currículo espetáculo teatrais também na Itália, onde estudou por um período. Alguns de seus trabalhos são: Manual prático da mulher moderna (2002), O urso (2003), No ritmo do amor (2005), Decote (2008), Bailei na curva (2008), Parasitas (2010), Fora do ar (2010) e A cãofusão- Uma aventura legal pra cachorro (2011).
 
PATRÍCIA SOSO
em Cara a tapa (junto de Vinícius Meneguzzi)